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segunda-feira, 28 de maio de 2012

NR 31, 15 E 07


SEGURANÇA NO TRABALHO
 AGRO-FLORESTAL

   AS CONDIÇÕES ADVERSAS DO TRABALHO RURAL:

.1- Analfabetismo: O índice de analfabetismo é muito elevado, no meio rural brasileiro. Se considerarmos que toda ordem de serviço, na questão de “segurança” , deve ser dado “por escrito”, esta primeira condição adversa compromete, significativamente, todo e qualquer programa de prevenção de acidentes e doenças.
     Aqui, devemos considerar o conceito internacional de alfabetizado: o indivíduo deve saber escrever, ler e interpretar o texto. Não basta apenas “conseguir” assinar o seu nome e ler alguma coisa mais simples; isso não significa “ser alfabetizado” .
            O operário para ser adequadamente treinado deve estar devidamente qualificado. Sendo analfabeto, tornam-se impossíveis: a leitura dos manuais, a aprendizagem de normas técnicas, o acompanhamento de ordens de serviço e a leitura de especificações de fábrica.
            No início da década de 90, no Espírito Santo, foi constatado que 40% dos aplicadores de agroquímicos eram analfabetos e 70% desconheciam a ação tóxica do produto no organismo, por não saberem ler e interpretar o texto do rótulo e do receituário; também, no Paraná, 95% não usavam EPIs, por desconhecimento, decorrente do não entendimento do texto. E o Brasil consome 20% de todos os agroquímicos consumidos por paises "em desenvolvimento" ("3o mundo")! 1% dos expostos sofrem intoxicação e 2% dos intoxicados morrem.

.2- Estatística: os dados estatísticos referentes ao trabalho rural são poucos; os de origem oficial têm “vícios de origem”, e os fornecidos pela iniciativa privada são inconsistentes, quase sempre.
Dois exemplos: no setor florestal, em determinada região, era dado, oficialmente, como de 2% o percentual de acidentes gerados no trajeto (transporte de operários à fazenda), enquanto, no mesmo ano, o setor, por dados das empresas privadas, indicava 50%; segundo: oficialmente, os quatro municípios paranaenses que “lideram” as estatísticas de acidentes, na área rural, são, coincidentemente, grandes produtores de açúcar da cana; motivo: é uma atividade melhor estruturada que as demais, tanto legal como administrativamente. E as estatísticas mostram uma situação comparativa irreal, dada a facilidade de se “pinçar” uma informação.
.3- A área geográfica: A extensa área geográfica prejudica todas as ações no sentido de uma fiscalização eficaz e inibe a intenção de controlar os riscos, seja por causa dos grandes deslocamentos, seja pelos altos custos apresentados. Tomemos como exemplo o Paraná: mais de 60.000 empresas rurais estão “pulverizadas” em cerca de 290.000km2; qualquer programa de treinamento e atendimentos diversos, tem como óbice principal a distância a vencer, além de outros obstáculos, como intempéries, riscos nas estradas, diversidade de ambientes, etc.

.4- A ausência do poder público: Até a década de 90, havia, no Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas sem Certidão de Nascimento; pessoas “sem nome”. Ora, como registrar empregados sem Carteira de Trabalho? Como providenciar a Carteira junto ao poder público, se lhe falta o documento necessário? Ambos são de competência exclusiva do Estado, através dos cartórios credenciados e junto às DRtS. O Governo Federal foi irresponsavelmente omisso, e tem sido acanhado nas suas ações.
            A maioria dessa população encontra-se na área rural: nordeste, norte, oeste, centro-oeste, sudeste e sul (na ordem).
Um outro aspecto: o corpo de fiscais do MTE não é capacitado para operações junto ao operariado rural, não é familiarizado com as questões pertinentes, não tem preparo para agir no setor, além da falta dos recursos que a tarefa exige.
5- A legislação : São recentes os instrumentos legais específicos para a área rural, na questão de segurança do trabalho. Entretanto, devemos salientar que, em que pese a intenção de atender, é muito falha a legislação, haja vista a permanente preocupação de se alterarem os dispositivos legais existentes. As Normas Regulamentadoras Rurais sofreram profundas modificações, sendo substituídas pela NR-31, esta muito falha e necessitando urgente de uma reformulação.
            Os critérios de avaliação dos riscos, para a área rural, são “alienígenas”, enquanto os da área urbana são próprios. As normas são elaboradas em função de pesquisas desenvolvidas no contexto urbano e adaptadas (quando o são) para o ambiente rural. Algumas são, verdadeiramente, alienígenas.
 
.6- A diferença cultural: Principalmente o pessoal de nível superior, é preparado em escolas que estão instaladas e atuam num contexto tipicamente urbano, enquanto os seus egressos irão desenvolver os seus trabalhos, na maioria das vezes, em áreas rurais, cujo contexto cultural é muito diferente do anterior. Por mais que se esforce, o Engenheiro Agrônomo, Florestal, ou Agrícola, enfrentará, inicialmente, muita dificuldade para a comunicação e, consequentemente, para o necessário relacionamento com os seus subalternos;  na questão da prevenção dos riscos de acidentes e de doenças, esta dificuldade se amplia.
.7- O pagamento semanal: Comum nas pequenas e médias empresas, a prática do pagamento semanal gera vários problemas, relacionados com a segurança:

a-      maior rotatividade de mão-de-obra, decorrente do fato de que, ao receber o seu salário, no sábado, o operário tem a facilidade de optar por procurar outra empresa; esta rotatividade já alcançou, na década de 80, a “expressiva casa dos 20%”, nas principais empresas florestais, no Paraná;
b-      o dinheiro, sendo recebido sempre no sábado, induz à bebedeira de “fim de semana”, gerando problemas como: absenteísmo, na segunda-feira; desentendimentos com colegas, principalmente nos dormitórios coletivos; acidentes de trabalho no primeiro dia da semana. Dados estatísticos apontam o Brasil como 1o colocado em absenteísmo, no trabalho rural, por causa do alcoolismo. Também, dados estatísticos nacionais indicam a ocorrência de acidentes, por dia da semana, na área rural:
2a feira: 38%
3a feira: 14%
4a feira: 22%
5a feira:   8%
6a feira:   2%
sábado: 16%

c-      inibe a intenção de treinamento: a empresa não sabe se poderá contar com a mão-de- obra que treinou, e se o investimento no treinamento lhe trará “retorno”; nas grandes e   algumas médias empresas, este problema praticamente não ocorre; a eventual falta de treinamento é gerada por outros fatores, até mesmo de ordem cultural;
.8- A entre-safra: Tipicamente, da área agrícola, e bem menos acentuada na florestal, a entre-safra “oferece” significativa contribuição ao rol de “condições adversas” para o setor primário da produção.
            A monocultura, se de um lado mostra os seus aspectos positivos, por outro traz resultados negativos:   
- pragas e doenças em grande escala;                                                                                  - “ecologicamente” menos desejável;
- acentua mais a condição adversa da “entre-safra”, já que a amplitude de variação entre necessidade x ociosidade de mão-de-obra, na fazenda, é minimizada pela ocorrência da “heterocultura”, onde a empresa desloca   melhor os seus empregados para uma ou outra atividade.
Com a necessidade de dispensa de parte da mão-de-obra, nos períodos de entre- safra (principalmente) há a inibição para o treinamento e outros nvestimentos que resultem no controle de riscos de acidentes e de doenças ocupacionais. O setor florestal consegue “administrar” melhor essa questão, pela flexibilidade que a atividade permite, em termos de utilização do pessoal de campo (mesmo na “monocultura”).

.9- O Meio: Mais agressivo do que se possa imaginar, o Meio, ou “ambiente natural”, oferece riscos de toda natureza e intensidade, além de reduzir as possibilidades de adoção das “medidas de ordem geral”; (o capítulo V enfatiza a questão).
            Assim, referente ao Meio, temos como exemplos de adversidade:        
a- Riscos naturais:      -     vento, sol, relevo, solo, água, raios, etc.;
-          intempéries;
-          fungos, bactérias, vírus, vermes, etc.;
-          animais domésticos, animais peçonhentos, etc.;
-          substâncias químicas alergizantes e irritantes, substâncias tóxicas naturais, etc.;
-          plantas espinhosas, quedas de galhos e árvores, etc.;
-          acidentes geográficos, como rios, etc.
-          outros elementos.

b- Riscos inerentes ao trabalho:
-          produtos químicos nas culturas e no solo, escapamentos   
      de gases em motores e máquinas, etc.;
-          vibrações mecânicas localizadas e de corpo inteiro;
-          choques elétricos, quedas de nível, queda de objetos, prensagem “em” ou “entre”, etc.
 c- Dificuldade de controle:
            As medidas de controle prescritas para a fonte ou trajetória são facilmente  esgotáveis e, as de ordem pessoal, de difícil aplicação. Dentre estas, a última  -  uso de EPIs -  passa, quase sempre, a constituir-se na principal medida de controle a ser adotada. Situação típica do trabalho rural.
       A NORMA REGULAMENTADORA PARA O TRABALHO RURAL – NR-31
A seguir, algumas considerações sobre a NR-31 (promulgada em  040305):
.01- Ela se destina às áreas de “agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aqüicultura”.
.02- Apesar de mencionada atividade “aqüicultura”, em nenhum momento a Norma contempla esta atividade; nada há no seu texto que indique isso.
 .03- Compete à Secretaria de Inspeção do Trabalho – SIT – através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho – DSST – definir, coordenar, orientar e implementar a política nacional em segurança e saúde no trabalho.
.04- Compete, ainda, à SIT, através do DSST, coordenar, orientar e supervisionar as atividades desenvolvidas pelos órgãos do MTE e realizar, com a participação dos trabalhadores e empregadores, a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho Rural – CANPATR, e implementar o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT.
 .05- Dentre os direitos dos trabalhadores, o item 31.3.5, letra d cita: “quando houver motivos para considerar que exista grave e iminente risco para sua segurança e saúde, ou de terceiros, informar imediatamente ao seu superior hierárquico, ou membro da CIPATR, ou diretamente ao empregador, para que sejam tomadas as medidas de correção adequadas, interrompendo o trabalho, se necessário”.
O texto não sugere prazo para que o empregador adote as medidas.
.06- A instância nacional encarregada das questões de segurança e saúde no trabalho rural é a Comissão Permanente Nacional Rural – CPNR.
.07- É criada a Comissão Permanente Regional Rural – CPRR, formada por:
                                   3 representantes do governo
                                   3 representantes dos trabalhadores
                                   3 representantes dos empregadores.
 .08- Sobre a NR-7 e o PCMSO:
a-      exame admissional: antes que o trabalhador assuma as suas atividades;
b-      exame periódico: anual, salvo o disposto em acordo ou convenção coletiva de trabalho;
c-      exame de retorno ao trabalho: se ausente por período superior a 30 dias, devido a qualquer doença ou acidente (não cita outra situação);
d-     exame de mudança de função: desde que haja risco específico diferente daquele a que estava exposto;
e-      exame demissional: desde que o último exame ocupacional tenha sido realizado há mais de 90 dias, salvo o disposto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, resguardado o critério médico.


Percebe-se que não há referência a “exame de mudança de local de trabalho”, “exame periódico bienal” (para trabalhadores com idade entre 18 e 45 anos) nem de “retorno ao trabalho” para outras situações de afastamento prolongado.


.09- Todo estabelecimento rural deve estar equipado com material para prestação de “primeiros socorros”, em função das características das atividades exercidas; sempre que no estabelecimento
houver 10 ou mais trabalhadores o referido material ficará sob cuidado de pessoa treinada para esse fim.

.10- É obrigatória a aplicação da vacina anti-tetânica para todos os trabalhadores rurais.
 .11- As modalidades de SESTR:
a-      Próprio: quando os profissionais especializados mantiverem vínculo empregatício.
b-      Externo: quando o empregador rural ou equiparado contar com consultoria externa dos profissionais especializados.
c-      Coletivo: quando um segmento empresarial ou econômico coletivizar a contratação dos profissionais especializados.
 .12- Composição do SESTR:
a-      de nível superior:
- Engenheiro de Segurança do Trabalho
- Médico do Trabalho
- Enfermeiro do Trabalho.
            b-  de nível médio:
                                         - Técnico de Segurança do Trabalho
                                       -  Auxiliar de Enfermagem do Trabalho.
Mesmo para contratação temporária, caso atinja o número mínimo exigido, a empresa deve contratar SESTR Próprio ou Externo (Coletivo), durante o período da contratação.
 .13- Estabelecimento com mais de 10 até 50 empregados: fica dispensado de constituir o SESTR, desde que o empregador ou preposto tenha formação sobre prevenção de acidentes ou doenças relacionados ao trabalho. Caso contrário, fica o empregador obrigado a contratar 1 Técnico de Segurança do Trabalho, ou SESTR Externo: conflitante com o exposto no quadro 3.
14- O empregador, obrigado a constituir SESTR Próprio ou Externo, poderá optar pelo SESTR Coletivo, desde que estabelecido em acordos ou convenções, nas seguintes situações:
            - vários empregadores instalados em um mesmo estabelecimento;
            - vários empregadores que possuam estabelecimentos distantes entre si menos de cem quilômetros;
            - vários estabelecimentos de um mesmo grupo econômico situados menos de cem   quilômetros entre si;
            - consórcio de empregadores e cooperativas de produção.
 15- Dimensionamento do SESTR Próprio ou Coletivo:
 Quadro 3
Nº de Trabalhadores
Profissionais Legalmente Habilitados
Eng. Seg.
Méd. Trab.
Téc. Seg.
Enf. Trab.
Aux. Enf.
51 a 150


1


151 a 300


1

1
301 a 500

1
2

1
501 a 1000
1
1
2
1
1
Acima de 1000
1
1
3
1
2
O SESTR Externo e Coletivo deverão ter a seguinte composição mínima:
                               Quadro 4
Nº de Trabalhadores
Profissionais Legalmente Habilitados
Eng. Seg.
Méd. Trab.
Téc. Seg.
Enf. Trab.
Aux. Enf.
Até 500
1
1
2
1
1
500 1000
1
1
3
1
2
Acima de 1000
2
2
4
2
3

.16- Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho Rural - CIPATR :
O empregador rural ou equiparado que mantenha vinte ou mais empregados contratados por prazo indeterminado, fica obrigado a manter em funcionamento, por estabelecimento, uma CIPATR. A CIPATR será composta por representantes indicados pelo empregador e representantes eleitos pelos empregados de forma paritária, de acordo com a seguinte proporção mínima:
                Quadro 5
Nº de Trab. Nº de Membros
20 a 35
36 a 70
71 a 100
101 a 500
501 a 1000
Acima de1000
Representantes dos trabalhadores
1
2
3
4
5
6
Representantes do empregador
1
2
3
4
5
6

17- “O coordenador da CIPATR será escolhido pela representação do empregador, no primeiro ano do mandato, e pela representação dos trabalhadores, no segundo ano do mandato, dentre seus membros”. Absurdamente, poderá ocorrer de o empregador não contar com coordenador, escolhido dentre os seus representantes.

18- O mandato dos membros da CIPATR terá duração de dois anos, permitida uma recondução.
19- “A CIPATR não poderá ter seu número de representantes reduzido, bem como, não poderá ser desativada pelo empregador antes do término do mandato de seus membros, ainda que haja redução do número de empregados, exceto no caso de encerramento das atividades do estabelecimento”.  Inaceitável esta imposição legal!
20- Os casos em que ocorra redução do número de empregados, por mudanças na atividade econômica, devem ser encaminhados à Delegacia Regional do Trabalho, que decidirá sobre a redução ou não da quantidade de membros da CIPATR.
.21- O processo eleitoral para membros da CIPATR observará as seguintes condições: ... letra e: “garantia de emprego para todos os inscritos, até a eleição”. É difícil de aceitar esta determinação.
22- É vedado o uso de roupas pessoais quando da aplicação de agroquímicos.
23- As edificações destinadas ao armazenamento de agroquímicos devem estar situadas a mais de 30m das habitações e locais onde são conservados ou consumidos alimentos, medicamentos ou outros materiais, e de fontes de água.
24- “O empregador deve disponibilizar, gratuitamente, ferramentas adequadas ao trabalho e às características físicas do trabalhador, substituindo-as sempre que necessário”.  E no caso de serviço “empreitado” ou realizado por “terceiros”?

25- O treinamento ensejado ao operador de motosserra tem a duração mínima de 8 horas. Deveria ser de, no mínimo, 40 horas.
26- Nas frentes de trabalho, devem ser disponibilizadas instalações sanitárias fixas ou móveis compostas de vasos sanitários e lavatórios, na proporção de um conjunto para cada grupo de 40 trabalhadores ou fração, separadas “por sexo”, dispor de água limpa, papel higiênico, etc.
27- “As moradias familiares devem ser construídas em local arejado e afastadas, no mínimo, 50m de construções destinadas a outros fins”.  Não é o que diz a letra e, do item 31.8.17 (‘... estar a mais de 30m das habitações...”).
 28- É vedada, em qualquer hipótese, a moradia coletiva de famílias. Não vejo lógica nisso!
 A CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO RURAL
             .01- Em função do esforço físico exigido e o correspondente dispêndio de energias, a OIT classifica o trabalho da seguinte forma:
                                                                                                             
                                   MUITO GRANDE...............3 a 4 vezes o esforço físico
                                    GRANDE..............................2 a 3 vezes o esforço físico
                                    MODERADO.......................no limite do esforço físico
                                   PEQUENO...........................abaixo do limite do esforço físico     (valores numéricos aproximados)

.02- Exemplos para a área rural:
                    Muito Grande:............... puxar o cabo do guincho
                                                           subir em árvores, para coleta de sementes
                                                           uso de aplicador costal
                                                           transportar cargas em aclive, etc.

                     Grande:.........................uso de serras manuais e motosserras em derrubadas,
desgalhamento e traçamento

                     Moderado:.....................condução de tratores e colheitadeiras
                                                           plantios manuais
                                                           roçadas e coveamentos manuais
                                                           uso de machado
                                                           colheitas manuais, etc.
                                                
                   Pequeno:.........................fiscalização e serviços burocráticos
                                                           balizamento
                                                           limpeza de pátios
                                                           manutenção de equipamentos
                                                           trabalhos em viveiros, etc.
      
A identificação da atividade na escala apresentada pela OIT depende da taxa de metabolismo ocorrida e em função do ritmo imposto. No quadro a seguir, podemos identificar os exemplos, pelo metabolismo apresentado:
 
IV. b   QUADRO DE METABOLISMO    -    NR-15  (COMPLEMENTADO):
Quadro 6
TRABALHO
ATIVIDADE
QUADRO
PEQUENO
Sentado: movimento moderado com braços e tronco...........................
Sentado: movimento moderado com braços, tronco e pernas    
( por exemplo, dirigir automóvel )........................................................
De pé: trabalho leve ( por exemplo, fiscalizar )....................................
125kcal/ht

150kcal/ht
150kcal/ht
MODERADO
Sentado: movimentos vigorosos com braços e pernas..........................
De pé: trabalho leve em máquinas com alguma movimentação...........
De pé: trabalho moderado em máquinas com alguma movimentação.
Em movimento: trabalho de empurrar ou levantar...............................
180kcal/ht
175kcal/ht
220kcal/ht
300kcal/ht

GRANDE: (*)..................De pé: uso de motosserras, na execução de derrubadas, desgalhamento e  traçamento........................................................360 a 480kcal/ht
      Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar peso;
      por exemplo: remoção com pá........................................................440kcal/ht
      De pé: uso de serras manuais em derrubadas e traçamentos...........550kcal/ht

MUITO GRANDE: (*)..De pé: uso de motosserras em derrubadas, desgalhamento, traçamento, com  empilhamento manual:..........................................................580 a 600kcal/ht
                                         Trabalho de aplicação de produtos químicos com equipamento costal,    movimentos vigorosos com o braço...............................................560kcal/ht
(*) – Levantados pelo autor, em trabalho realizado na Fazenda Cangüiri, UFPR.
OS RISCOS NA ATIVIDADE RURAL
 
            .01- Conceito de Riscos: "São aqueles decorrentes de condições inseguras ou precárias de trabalho, e inerentes ao ambiente ou ao processo”, incluindo, aí, o trabalhador.
- Classificação:
                        2.1- Quanto à natureza dos agentes geradores: 
                        a- Riscos de Ambiente : Físicos, Químicos, Biológicos;
                        b- Riscos de Execução : Materiais, Pessoais.

                        2.2- Quanto à forma de ocorrência:
                        a- Potenciais;
                        b- Reais.

                        2.3- Quanto à forma de agressão:
                        a- Insalubridade;
                        b- Periculosidade.
                                   OBS.: Todo ambiente laboral  oferece 4 condições de trabalho:
 
                                                           - Praticamente sem risco
                                                           - Condições perigosas
                                                           - Riscos de Insalubridade
                                                           - Riscos de Periculosidade

                        No ambiente rural, raramente ocorrem a primeira e a quarta situações.

                        2.4- Riscos ergonômicos: estão relacionados com aplicação do trabalho ao homem e o seu controle ocorre, basicamente, com a programação adequada de trabalho.

            .03- Alguns exemplos para a área rural:

                        Físicos: temperaturas extremas (naturais e artificiais), vibrações mecânicas localizadas e de corpo inteiro, ruídos elevados, pressões anormais, radiações (naturais e artificiais), descargas elétricas naturais, umidades, ventilação (e a falta de) , intempéries (não só cada elemento climático mas a sua amplitude de variação, em curto espaço de tempo);
 Químicos: todos os agroquímicos e afins, fertilizantes, corretivos, similares, químicos de "origens" animal e vegetal naturais.
 Classificação física em que se são encontrados, na área rural:
                        - aerodispersóides: poeiras, fumos, fumaças, névoas, neblinas;
                        - gases;
                        - vapores;
                        - líquidos;
- sólidos.
 Classificação fisiológica (todas as formas):
                        - irritantes: amoníaco, álcool, etc.;
                        - asfixiantes: monóxido de carbono, cianuretos, etc.;
- narcóticos: éter etílico, etc.;
                         - intoxicantes sistêmicos: tetracloreto de carbono; clorados    fosforados em geral; benzeno; álcoois; fluoretos; compostos de   arsênico, fósforo e enxofre; mercuriais;   manganês; berílio;    cromo, chumbo, etc.;
                        - material particulado (com ação alergizante e/ou irritante):    poeiras em geral; carbonatos; sais complexos de alumínio; carvão  mamona, pólens, resinas, exsudatos, extratos, seivas, etc.

OBS.: Na página seguinte, apresentamos um quadro de "algumas madeiras brasileiras que causam problemas de saúde, quando em contato prolongado" com a sua poeira (em derrubadas, traçamento, desgalhamento, desdobro, lixamento, etc.)
 
Biológicos: todos os protistas patogênicos (HAECKEL, 1866) inferiores e superiores: vírus, bactérias, fungos, bacilos, riquétsias (parasitos intracelulares obrigatórios, semelhantes à bactéria, cuja doença - riquetsioses - tem como profilaxia a destruição de piolhos, pulgas, roedores, etc.) e todas as formas de associações de propriedades animal e vegetal em suas combinações
microorgânicas. Ainda: pequenos  e grandes animais - vetores ou não de doenças - e plantas cujos contatos e/ou ferimentos causam algum tipo de agressão ao homem, ou concorrem para a ação química ou biológica no organismo. Exemplos:
Animais: Roedores, insetos, aracnídeos, aves, anfíbios, répteis, crustáceos, etc.;
Vegetais: Chapéu-de-napoleão, mamona, espirradeira, mandioca-brava, comigo- ninguém-pode, pinhão paraguaio, oficial-de-sala, joá bravo, etc.
Doenças: tuberculose, brucelose, tétano, tifo, malária, febre amarela, doença de chagas, esquistossomose, câncer, aids, dengue, cólera, pneumonia, silicose, etc.
OBS.: A prática do uso de "adubação orgânica" (lodos, estercos em geral, de suínos, aves, etc.) oferece elevado risco de doenças (helmintos, coliformes, vírus, bactérias, etc.), tanto pela presença em si, dos microorganismos, como pelo aspecto cultural do homem do campo  -  "são produtos naturais e não fazem mal
a ninguém".
                 
Materiais: operações perigosas; ferramentas  manuais (46% dos acidentes, na agricultura) como machado, foice, enxadas, enxadões, facas, facões, pás,    ganchos, alavancas, pinças, serras, etc.; EPIs inadequados; máquinas obsoletas;  sinalização e balizamento inadequados; relevo do terreno; condições do ambiente, como pedras, depressões, irregularidades na superfície, galhos, obstáculos diversos; implementos diversos; motosserras; máquinas; implementos e ferramentas para
trabalho com animais; etc.
OBS.:
 1) Mais que o trabalho com equipamentos obsoletos, a introdução de máquinas e equipamentos "mais sofisticados e modernos" , em curtos espaços de tempo, oferece elevado risco de acidentes mais graves, pelo fato de o treinamento não acompanhar esta evolução. Exemplos: mecanização na colheita de feijão; tratores agrícolas; tratores de esteiras na agricultura; "feller" ( de pneus e de
esteiras ); "harvester"; "skidder"; a própria motosserra; "slasher", carregadores, etc. Como exemplo, citamos que, no setor florestal, a substituição da motosserra por maquinaria pesada e sofisticada, apresentou, nos primeiros anos, redução no Coeficiente de Freqüência e sensível elevação no Coeficiente de Gravidade.
Os Sistemas Agroflorestais ( Agricultura e Floresta) pode ser entendido como sendo uma série de sistemas e tecnologias de uso e manejo da terra, nas quais são associadas culturas agrícolas com árvores e, ou pastos, numa mesma área de tal forma que sejam viáveis economicamente, seguindo critérios importantes tais como produtividade, adotabilidade e sustentabilidade para benefício das interações ecológicas e econômicas resultantes.
Os SAF´s, como são conhecidos os Sistemas Agroflorestais, consiste em consolidar ou aumentar a produtividade de estabelecimentos agropecuários e de plantações florestais de diversas dimensões abrangendo aspectos como degradação do solo e perda da sua fertilidade ao longo dos anos, conservação da biodiversidade tanto de plantas quanto de animais (fauna e flora) além de reduzirem os desmatamentos clandestinos e queimadas.
É de extrema importância a aplicabilidade da segurança no trabalho nas Atividades Agroflorestais, uma vez que as operações de campo englobam o meio ambiente, produção e principalmente o homem.
A relação Homem x Meio Ambiente envolvem produtores rurais e ecossistema, com isso se deve reconhecer, avaliar e controlar os riscos que possam comprometer a saúde dos trabalhadores.
Hoje, tudo o que diz respeito à preservação da integridade física de todo trabalhador está totalmente voltada para a área da saúde e segurança no trabalho, bem como a sua adaptação às condições seguras para a realização de suas funções.
Para o desenvolvimento eficaz nas Atividades Agroflorestais, é necessário um amplo conhecimento das Normas Regulamentadoras e Legislações que sustentam esta atividade e, também, disponibilidade para a constante busca do conhecimento nesta área.
FONTE:
Universidade Federal do Paraná
Sandro Javert

 O AMBIENTE RURAL / O AMBIENTE  “URBANO”
Quadro 01
AMBIENTE RURAL
AMBIENTE  “URBANO”
L oferece risco de toda natureza
L oferece risco de toda natureza
L extensa área geográfica
J menor área geográfica
L locais de trabalho “pulverizados
J locais de trabalho concentrados
L legislação específica, incipiente, frágil,     
     muito falível
J legislação ampla, relativamente consolidada,
    menos falível
L dificulta a fiscalização
J facilita a fiscalização
L PPRA não aplicável, totalmente
J PPRA total e facilmente aplicável
L medidas de ordem geral facilmente
    Esgotáveis
J medidas de ordem geral facilmente
    aplicáveis
L muito vulnerável à ação climática
J pouca ou nenhuma interferência climática
L EPI: rara especificidade de uso, nos CAs
J EPI: especificidade em todos os CAs
L pouco acesso aos programas sociais (por    
    exemplo, o PAT)
J acesso amplo aos programas sociais (por
     exemplo, o PAT)
L parcos recursos aos programas de 
    treinamento (SENAR)
J relativamente maiores recursos aos
    programas de treinamento (SENAI, SENAC)
L pouca aplicação de recursos em treinamento 
    (FAT)
L excessiva aplicação de recursos em
    treinamento (FAT)
L atendimento medico-hospitalar demorado
J atendimento medico-hospitalar imediato
L pessoal nível superior: preparado em
    contexto cultural diferente do do trabalhador
J pessoal nível superior: preparado no mesmo
    contexto cultural
L isolamento na atividade, normalmente
J trabalho em conjunto, normalmente
L condições de trabalho precárias, em geral, e
    de difícil adequação
J condições de trabalho de, relativamente,
    fácil adequação
L risco: critérios de avaliação “alienígenos”      
    (ex.: umidade, UR do ar, temperatura, etc.)
J risco: critérios de avaliação próprios (ex.:
    umidade, UR do ar, temperatura, etc.)
L Os Códigos de Postura Municipais não
    contemplam a área rural
J Os Códigos de Postura Municipais
     contemplam (apenas) a área urbana
L ???????????????????????????????????????
J ???????????????????????????????????????
DO CORPO ATINGIDAS, EM ACIDENTES "URBANOS" (A)
             crânio.......... 3.41%
             olhos............ 9,48%
             face.............. 3,10%
             pescoço........ 0,90%
             tórax............ 6,85%
              braço............4,00%
              abdômen......1,90%
             mãos..........13,56%
             dedos.........29,59%
             coxas...........2,82%
              pernas..........8,59%

             artelhos........4,56%.

             pés..............11,24%
                      PARTES DO CORPO ATINGIDAS, EM ACIDENTES "RURAIS"......(B)
crânio............1,04%
                  olhos.............4,15%
                  face...............2,07%
                  pescoço.........0,26%
                   tórax.............11,66%
   
                  braço.............9,58%
                  abdômen........1,30%
                   mãos.............17,10%
                  dedos............10,28%
                   coxas.............0,26%
                  pernas.........16,06% 
                  artelhos.........5,00%
                  pés...............21,24%
Análise superficial do quadro acima:
· crânio.......maior porcentagem na área urbana, por acidentes "batida contra"; na área rural, ocorre mais por    "queda de objetos",  na atividade florestal; na agrícola é pouco significativa;
· olhos........maior porcentagem na área urbana, pela significativa participação de atividades em oficinas;
· face..........mesma análise anterior;
· tórax........a atividade rural, em geral, enseja uma exposição maior desta parte do corpo: por se tratar de   trabalhos dinâmicos, em sua maioria, o homem se desnuda mais e se protege menos;
· braços.......mesma análise anterior;
· mãos........as mordidas de cobras (10,5% dos acidentes com cobras) concorrem para o mais elevado número de acidentes nas mãos, em relação ao meio urbano;
· dedos.......a significativa maior participação de trabalhos em oficinas e com máquinas cortantes ( por exemplo, canteadeira) pode ser o motivo de o trabalho urbano apresentar tão elevada porcentagem de acidentes nesta parte do corpo;
· coxas.......difícil se torna justificar o maior número de acidentes nesta parte, no trabalho urbano;
· pernas.....cobras, principalmente, além do uso de facões e foices, são a razão do elevado número de acidentes nas pernas, para a área rural;
· pés..........mesma análise anterior; aqui, estão incluídos os pododátilos;
· artelhos.. mesma análise anterior, com respeito às cobras.
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    BISCOITOS/COOKIES
    CULINÁRIA FÁCIL
    TAPIOCA SALGADA...
    Ingredientes
    • 100 gramas de polvilho
    • 70 gramas do recheio que quiseres,aqui sugerimos carne de sol pronta temperada e feita,  (de presunto, queijo, tomate e alecrim/orégano, frango, calabreza, vegetais, ou pura com manteiga FICA PERFEITO!!!)
    • 70 gramas de queijo ralado
    • 1 pitada de sal
    • água
    • manteiga

    Modo de preparo

    Para fazer a massa de tapioca, misture o polvilho com um pouco de água até o ponto da massa não se soltar. Acrescente uma pitada de sal. Aqueça uma frigideira aderente e vá colocando o polvilho aos poucos, peneirando sempre a massa. Quando a massa estiver firme, vire para o outro lado ficar pronto. Ainda com a massa na panela, recheie com o queijo ralado e a carne. Agora é só fechar a tapioca e se deliciar! Rende uma tapioca.

    TAPIOCA DE CÔCO

    Ingredientes

    500 gr de polvilho doce (goma seca)
    1 litro de água
    1 pitada de sal
    Leite de coco fresco temperado a gosto com açúcar ou sal
    Folhas de bananeira preparadas e cortadas em quadrados ou círculos
     Modo de Preparo
    Coloque o polvilho doce numa tigela, cubra com água e deixe hidratar de um dia para outro ou por pelo menos 3 horas. Depois deste tempo, jogue a água da superfície fora e coloque sobre o polvilho molhado (que ficou assentado no fundo da tigela) um pano de algodão limpo. Deixe por umas duas horas para que o pano enxugue o excesso de água. Agora, basta desfazer os torrões, temperar com um pouco de sal e passar por peneira para que se transforme numa farofa úmida e soltinha. Aqueça uma frigideira sem untar e espalhe por cima (sem untar) algumas colheradas deste polvilho molhado. Quando os grânulos se juntarem, vire e cozinhe do outro lado, sem deixar endurecer. Deixe o leite de coco numa tigela e passe as tapiocas rapidamente por ele, sem deixar encharcar muito. Sirva em folhas de bananeira. Nota: se quiser fazer uma mistura instantânea para tapioca, é só misturar 500 g de polvilho com água aos poucos (na quantidade de 300 ml aproximadamente), até formar uma farofa úmida. Basta, então, temperar com uma pitada de sal e peneirar direto sobre a frigideira.

    MENSAGEM...
    Nos Compromissos de Trabalho
    (André Luiz / Chico Xavier)
    Nunca se envergonhe, nem se lamente de servir.

    Enriquecer o trabalho profissional, adquirindo conhecimentos novos, é simples dever.
    ...

    Colabore com as chefias através da obrigação retamente cumprida, sem mobilizar expedientes de adulação.

    Em hipótese alguma diminuir ou desvalorizar o esforço dos colegas.

    Jamais fingir enfermidades ou acidentes, principalmente no intuito de se beneficiar das leis de proteção ou do amparo das instituições securitárias, porque a vida costuma cobrar caro semelhantes mentiras.

    Nunca atribua unicamente a você o sucesso dessa ou daquela tarefa, compreendendo que em todo trabalho há que considerar o espírito de equipe.
     
    Sabotar o trabalho será sempre deteriorar  o nosso próprio interesse.
     
    Aceitar a desordem ou estimulá-la, é patrocionar o próprio desequilíbrio.
     
    Você possui inúmeros recursos de promover-se ou de melhorar a própria área de ação, sem recorrer á desrepeito, perturbação, azedume, ou, rebeldia.
     
    Em matéria de remuneração lembre-se: quem trabalha deve receber, mas igualmente quem recebe deve trabalhar.
    André Luiz por Chico Xavier
    Livro: Sinal Verde