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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

DEPRESSÃO & Abuso e Dependência do Álcool (ADA)

Na prática clínica é muito comum observar que pacientes que abusam do álcool apresentam ao mesmo tempo sintomas de depressão, ansiedade e irritabilidade. É por isso que a literatura psiquiátrica já há muitos anos busca identificar as causas desta associação. Antes da década de oitenta, a maioria das explicações para este fenômeno baseava-se no fato de que deveria existir um quadro psicopatológico anterior ao abuso do álcool que estaria contribuindo para o desenvolvimento do beber excessivo. Nos últimos vinte anos no entanto as evidências, tanto de estudos laboratoriais, clínicos e epidemiológicos e de estudos longitudinais, tem demostrado que a maioria dos quadros psicopatológicos são decorrentes da intoxicação crônica pelo álcool. Ainda não existe um consenso sobre esta relação entre o consumo de álcool e psicopatologia mas com certeza ela é muito mais complexa do que inicialmente acreditávamos.

Uma parte desta complexidade advém do próprio efeito do álcool. Em baixas doses o álcool agudamente diminui a ansiedade. No entanto, quando a dose é aumentada, por um lado ainda apresenta um efeito de diminuição de ansiedade, mas por outro começa a aparecer um efeito rebote de aumento da ansiedade após o desaparecimento do efeito depressor do álcool. Pode-se argumentar que pelo menos alguns dos sintomas da ressaca que ocorre após algumas horas da intoxicação seria uma mini síndrome de abstinência, com o predomínio de sintomas de ansiedade, irritabilidade e insônia. Portanto, agudamente, o álcool pode diminuir a ansiedade ou provocar ansiedade dependendo da dose ingerida.

Com o uso crônico do álcool, os efeitos no cérebro tornam-se mais evidentes. À medida que a pessoa aumenta a dose de álcool, aumenta a chance do aparecimento de sintomas depressivos e de ansiedade. Isto ocorre em parte como decorrência dos sintomas de abstinência do álcool onde, além dos sintomas físicos freqüentemente observados (como tremor, sudorese, taquicardia); também existem sintomas afetivos da abstinência (como ansiedade, irritabilidade e depressão). Além disso, um dos efeitos crônicos do álcool no cérebro é o aparecimento de ansiedade e depressão. Alguém que esteja fazendo uso crônico do álcool acaba ficando com a impressão de que existe uma diminuição da ansiedade e depressão quando da ingestão alcóolica, pois acaba valorizando o efeito imediato que é diminuição da ansiedade e depressão e desconsiderando os efeitos crônicos que acabam aumentando esses sintomas.
FONTE: Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira


UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas)

Departamento de Psiquiatria – EPM – UNIFESP
 
EXCELENTE INÍCIO DE SEMANA TRABALHADOR(A)!!!
 
 

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