quarta-feira, 15 de outubro de 2008

gestão





SISTEMA DE GESTÃO - ASSUNTO DA MODA

Cosmo Palasio de Moraes Junior
Técnico de Segurança do Trabalho



Muito se tem falado a respeito de Sistema de Gestão. O assunto virou tema obrigatório em quase todos os encontros profissionais. Por toda parte há gente falando sobre isso, alguns com conhecimento de causa, outros no entanto apenas repetindo coisas que ouviram e muitos o fazendo sem qualquer análise mais detalhada. Estamos diante de uma verdadeira faca de dois gumes, que tem de um lado a possibilidade de conduzir segurança e saúde ao mundo da modernidade, mas ao mesmo tempo, trás em si a possibilidade de conduzirmos o assunto para mais um conjunto estático, onde é possível encontrar inúmeras explicações para os fatos, mas que de forma alguma conduzem a real solução dos problemas.

Há urgente necessidade, de que aqueles que tem ligação direta com as questões de segurança e saúde em nosso pais - e portanto conheçam a distância entre a realidade e o proposto - detenham-se numa análise mais profunda quanto ao assunto. Podemos sim estar diante de um momento e oportunidade que nos leve a um futuro melhor, como ao mesmo tempo corremos o risco de legar a prevenção ao vazio das pilhas das adequações, conformidades e documentos - fáceis de produzir - mas que na prática em nada melhoram a vida dos trabalhadores. A pergunta chave, para este momento da história de nossa área é saber até que ponto nossa cultura é capaz de suportar as questões de segurança e saúde a partir dos modelos propostos.

DE ONDE VIEMOS, PARA ONDE VAMOS

Uma das tendências do mundo - que ganha cada vez mais força com a globalização , em especial nos países de terceiro mundo - é o que chamamos de "Sindrome de Xerox", que nada mais é do que o hábito de copiar. Neste ponto é preciso que fique claro, que o copiar em si tem dentro do contexto histórico imensa importância, ficando o mal a referida Sindrome caracterizado apenas pela falta de critério para a cópia de algumas coisas. Dentro de nossa área, há casos conhecidos de cópias, alguns deles especificamente falando dentro da área de Higiene no que diz respeito ao limites de tolerância. Na sociedade em geral, podemos citar os argumentos daqueles que defendem a chamada "Tolerância Zero" - modelo adotado em determinada parte dos EUA para combater a violência, como se os problemas que originam a violência nas terras de lá fossem ao menos parecidos com as coisas que ocorrem por aqui.

Distante de uma análise mais abrangente e buscando o foco de nosso assunto, é preciso que voltarmos um pouco no tempo para entendermos alguns pontos do processo histórico da prevenção no Brasil. Sem medo de errar digo que a Prevenção de Acidentes brasileira é ainda uma jovem, nascida de um casamento forçado e criada ao sabor dos momentos, mantendo-se viva pelo seu próprio instinto e de certa forma resguardada por algumas leis. Não nasceu do amor, do interesse das partes, mas mesmo assim trilhou um caminho com resultados muito interessantes.

Dentro do macro processo histórico, 20 ou 30 anos pouco ou nada significam. Para entendermos a verdade, cabe sempre uma pergunta: Se não houvesse a imposição legal do SESMT e das NR a quantas andaria a segurança e saúde no Brasil ?

E tem sido neste panorama que as coisas vem sendo conduzidas. A questão em si - prevenção de acidentes - não é privilegiada. Dentro uma sociedade como a nossa - onde direitos são sinônimos de conquistas e deveres são deveres mesmo, tudo é um tanto quanto convulsivo, o burlar tornou-se uma espécie de lei e as formas glamourosas para tornar o burlar aceitável tornaram-se a especialidade de alguns que de tudo usam para transformar em licito o que é originalmente totalmente ilícito. Assim vivemos no caos, seja na saúde, na segurança publica, na habitação, na educação - e ao mesmo tempo - cria-se uma sensação institucionalizada de que isso é a normalidade. Para justificar, vendem-nos toneladas de programas, comissões e ações - que na sua grande maioria - menção seja feita as brilhantes exceções - nada mais são do que meios de postergação da realidade, algo assim como a velha e conhecida válvula de segurança das panelas de pressão. Desta forma, diluem-se os conflitos e as ações das partes - assegura-se a continuidade da ordem definida e há até mesmo uma sensação de que tudo vai bem.

Fica evidente que um pais, onde o direito é discutível - caso a caso - questões como segurança e saúde não podem ficar dispersas. Ao mesmo tempo, diante de um povo que ainda não tem em si a saúde como um valor, há necessidade sim de suprir estas lacunas do processo social com agentes que até que o processo tenha maturidade própria - trabalhem as ações necessárias a manutenção da vida. Se isso não for feito, todos pagaremos.

Hoje falam em sistemas como se isso fosse uma grande novidade. Parece-me que a palavra vinda de fora, ganha novo sentido. No entanto, em qual atividade humana não encontramos alguma forma de sistema ? Tudo bem que podemos estar diante de sistemas rudimentares, mas são sistemas. Dentro das empresas a coisa não é diferente; No que diz respeito a prevenção de acidentes também não. Na maior parte dos lugares, o conjunto de ações definidas e levadas a efeito para prevenir acidentes forma um sistema, alguns deles de reconhecida eficiência e eficácia. Muitos destes Sistemas surgiram dentro das próprias empresas e se mantém devido a uma fator essencial; TEM RELAÇÃO COM A CULTURA DAS PESSOAS e por isso são legitimados e mantidos. Começaram das iniciativas destes ou daqueles empregados ou setores, da junção das atividades feitas pelos homens da manutenção com as ações dos homens da operação e assim foram tomando forma, definindo uma forma próprio de fazer com segurança. Conheço muitas empresas assim, onde naturalmente as coisas surgiram e se mantém, são sem duvidas as empresas mais seguras, pois o SISTEMA DE SEGURANÇA veio dos empregados e está dentro da concepção destes. Ao mesmo tempo, conheço também casos de experiências catastróficas, onde quando tentou-se substituir o modelo vigente por um modelo formal, os acidentes começaram a ocorrer e até mesmo ocorreram mortes.

Fica claro que adoção de qualquer modelo que seja - não tratando-se aqui especificamente de nossa área - se não levar em conta a questão cultural certamente não passará de um conjunto de papeis bem escritos sendo fácil perceber que não tem qualquer correspondência mais significativa no chão de fábrica. Em suma, ninguém cumpre aquilo que não entende. Esta distância fica muito evidente quando falamos por exemplo de programa Housekeeping e vemos sua aplicação no Japão e a comparamos com o Brasil.

Dia destes conversando com um Diretor de uma grande rede de supermercados, falávamos sobre a questão cultural e dos regionalismos. Na oportunidade falávamos sobre qualidade e ele me diz das dificuldades em manter um bom atendimento, que haviam muitas reclamações. E eu dizia a ele que é interessante adequar os treinamentos para a questão das regionalidades e diferenças culturais de um país continente - ou seja que um treinamento padrão não atinge todas as pessoas devido suas diferenças de entendimento a partir de sua realidade. Contava que em determinado tempo, em férias e junto com um grupo de amigos resolvemos fazer uma viagem, passando 7 dias na Serra Gaúcha e de lá seguindo para Porto Seguro. Foi uma experiência muito interessante; No Sul encontramos a qualidade do atendimento pela pontualidade nos horários, pela postura um pouco distante mas sempre gentil nos hotéis e locais de turismo. Já no nordeste, estivemos diante da informalidade, da relação humana mais calorosa. Nos dois momentos era possível ouvir questionamentos de integrantes do grupo. Por detrás disso, havia com certeza em todas as pessoas que nos atenderam a certeza de estar fazendo o melhor - sendo que melhor é o MELHOR QUE ELA ENTENDE COMO TAL. Onde está o erro ? Na cópia exata do programa de treinamento oriundo da Matriz, um pais do tamanho de um só estado brasileiro, com tudo mais do que bem definido, com as pessoas com um grau mínimo de escolaridade padrão, onde o universo de quem atende é similar ao universo da grande maioria dos clientes. Lá, na verdade o treinamento é a apenas a formalização de uma relação socialmente definida, nítida e clara. Basta sistematizar….

E aqui ? No que diz respeito a segurança e saúde, como são as coisas ? Será que a sistematização pura e simples irá de encontro aos problemas rudimentares com os quais ainda convivemos ?

No surto das Sistematizações temos bem a nossa frente a questão da qualidade e do meio ambiente. Verdade que em alguns lugares a experiência deu certo; Realidade incontestável que o contrário também é verdadeiro. Diante da qualidade, para nós que lidamos com ambiente do trabalho, fica clara a utopia de obter qualidade de produto sem qualidade de vida. Obviamente que quando as normas da qualidade chegaram as empresas no primeiro mundo, estas já tinham em suas instalações condições apropriadas para que o HOMEM pudesse trabalhar com QUALIDADE DE VIDA - pré requisito inalienável como direito da pessoa humana antes de ser empregado. Era preciso portanto, apenas dar uma nova ordem as coisas. Por aqui a coisa não é bem assim, muitas empresas literalmente não trocaram de roupa, apenas vestiram a fantasia, transformaram em procedimentos o IMPOSSIVEL, muitos deles prevendo qualidade de inspeção de produtos em áreas onde um ser humano não consegue permanecer e se permanece não tem condições psicológicas de manter-se atento ao trabalho - fazendo-o por fazer. Surge ai uma avenida entre a realidade e a possibilidade; Trabalhar para a adequação -ou seja atender as normas no papel - é trabalho que um bom estudioso ou dependendo dos recursos - um especialista - fazem com certa facilidade. Ir em busca da conformidade - nos moldes que atendam a auditoria - também não é tarefa difícil. Muitas destas empresas seguem por este caminho, revelando com exemplos inúmeros e práticos a mentalidade dos empresários de viver a eterna dicotomia de mostrar no papel o que nada tem haver com a realidade. Muitas empresas não obtiveram mais do que certificações enquanto continuam com seus custos estratosfericos e seus porões cheios de produtos devolvidos ou que nem mesmo foram enviados ao cliente. Neste ponto é preciso entender duas coisas: A primeira delas é que boa parte do nosso empresariado habituou-se a busca de FACHADAS e não de soluções, a segunda e que no nosso caso o produto não conforme significa dano a algum ser humano.

No que diz respeito ao ambiente, basta ler os jornais. Há de se dizer que muitas empresas levam o assunto a sério, mas que não são a maioria. Na verdade muitos dos programas prestam-se mais a marketing do que a realidade em si. Entendo que para efetivar tais programas há necessidade de tal como no países de primeiro mundo, a utilização da sistematização seja uma ferramenta gerencial e real para que as empresas e seus prepostos consigam atender a legislação e evitar as penalidades . Enquanto vivermos esta mentalidade de que posso provar o que IRIA FAZER e que isso sirva como meio para evitar as sanções, de fato não iremos a qualquer lugar.

Ressalte-se que os erros aqui não estão nas entidades auditoras; Estas fazem muito bem o que é proposto nas mais variadas normas. Grave mesmo é a mentalidade dos que adotam sistemas apenas para cumprirem formalidades e que enganam primeiramente a eles próprios.

Nestes moldes, temos um panorama do que poderá vir em breve.


MOTIVOS PARA IMPLANTAR UM SISTEMA DE GESTÃO


Vale também uma análise sobre o que dizem alguns autores sobre este assunto. Muitos deles com certeza tem razão, mesmo porque teorizam e escrevem para outras realidades em alguns casos, comercializam sua idéias.

O primeiro motivo para implantar e que auxilia a cumprir a legislação, afinal de contas transforma itens de legislação e meios de gerenciamento. Obviamente isso trata-se de uma grande justificativa, mais uma vez apenas aplicável em países onde cumprir a lei é algo implícito. Por aqui, pode ocorrer que pilhas de papeis venham mais a servir como provas de gerenciamento do assunto do que sirvam para tornar real algo em termos de prevenção.

O segundo motivo é ajudar na redução de custos de segurança e saúde, valendo-se da articulação de ações. Bastante interesse este motivo, mas entendo que se aplica na busca de uma "prevenção de acidentes mais fina", ou seja a partir de um certo grau de evolução. Vale lembrar que estamos falando de um pais onde pessoas ainda morrem em acidentes causados por engrenagens expostas. Deve ficar claro que o "arranque" para adequar nossas fábricas a condição mínima com certeza vai ter um custo significativo e tal ação se não for imposta ou motivo de facilidades pelo Estado, de fato não irá ocorrer.

O terceiro motivo, diz respeito a preservação de imagem das empresas. Estamos aqui diante de mais uma questão complexa, que pode conduzir a situações adversas a proposta. Muitas empresas divulgam seus Sistemas e principalmente certificações em campanhas ostensivas na mídia. Com esta postura levam o consumidor ou o cidadão comum a crer que nela existam tais práticas. No entanto, quando algo errado ocorre relativo a aquele assunto, causa nas pessoas uma sensação de que foram enganadas. Interessante notar, que a informação e sensação obtidas pela propaganda nem de longe o vulto da sensação de ter sido enganado.

O quarto motivo, muito parecido com o terceiro diz respeito a manutenção da imagem e exigências dos clientes.
Importante mesmo talvez seja a menção a oportunidade de inserir segurança e saúde como um fator de produção. No entanto para isso há de buscar primeiro um pouco de mais maturidade nas relações, ou seja, é bem possível que em algumas empresas já exista terreno propicio a esta finalidade, mas com certeza na maioria delas não passaria de mais um penduricalho

O PERIGO ESTÁ NO PAPEL

Para que serve um plano de ação ? A resposta parece obvia, em especial se levarmos em conta apenas a teoria pura e prática. Um plano de ação se presta a organizarmos a forma. recursos e as ações com as quais iremos resolver um dado problema. Somente isso ? Não, para algumas pessoas, um plano de ação tal como uma porção de outros papeis é a maneira formal de livrar-se de um assunto, de supostamente estar fazendo algo sem na verdade ter a real intenção de resolver de fato o problema. A diferença está mesmo na mentalidade; Uns utilizam a ferramenta como meio de trabalho, outros a usam como meio de evitar trabalho.

E assim por diante. Em outras oportunidades expressamos nossa preocupação com o que chamamos de "prevenção cartorial"; Ocorre em muitos locais ! Visando cumprir a legislação no papel, empresas chamam os empregados e principalmente terceiros e fazem com que estes assinem calhamaços de folhas, onde geralmente estão mencionadas de forma bem escrita todas as obrigações a serem cumpridas - só falta mesmo estar escrito textualmente "Apesar de todos os riscos e perigos é proibido se ferir ou machucar - adoecer nem pensar !

Isso virou cultura ! Obviamente que o papel é necessário, no entanto junto a ele deveriam vir ações que ao menos permitissem a quem está assinando entender e cumprir o previsto. Incoerentemente a maior parte dos serviços de maior risco são feitos por pessoas analfabetas práticas, que assinam sem ao menos saber o conteúdo.

Preocupa-me a possibilidade do Sistema de Gestão, implantado dentro dos valores e cultura hoje vigentes, tornar-se um grande castelo de papeis, de intenções bem escritas, de ser base para a geração de peças e mais peças de propaganda e nada mais. Causa-me angustia a possibilidade de ver que diante das doenças e mortes sente-se a mesa e eternamente demonstre-se que algo vai ser feito num tempo que jamais chega, em especial para aqueles que vão ficando pelo caminho. Tal preocupação tornou-se ainda maior quando por estes dias visitei uma conhecida empresa. Do lado de fora há realmente uma sensação de que tudo vai bem, pois é impossível não prestar atenção nos imenso out-doors sobre todas as certificações obtidas; Para quem não conhece os assuntos tem se a impressão de que ali é a porta do céu. Já na recepção, pode-se ter contato com belos quadros das Políticas para todos os assuntos e se fosse for leigo nem vai notar que o ruído que chega até aquele ponto já mostra que algo não vai bem. Pelas alamedas, bem ajardinadas e limpas e até chegar a fábrica encontram-se outras peças bem elaborados de propaganda; No entanto, quando se entra na fábrica em si é um Deus nos acuda ! É possível encontrar empregados de chinelo de dedo, gente comendo pelos cantos, máquinas sem proteção. Conversando com alguns empregados eles contam que até pouco tempo quando a "Segurança" vinha na área as coisas eram melhores, depois a "segurança sumiu" .

Ao mesmo tempo, vale citar a experiência fantástica e real da Rio Paracatu Mineração, empresa que fica lá no extremo de MG, onde o Sistema de Gestão pode ser constatado em cada um dos empregados e mesmo nos terceiros. Mas com certeza é um exceção.

É preciso que se entenda, primeiro que mesmo que os Sistemas venham a dar certo em certas empresas, entre sua fase de implantação e os primeiros resultados haverá um hiato cultural imenso. Erram os SESMT que se afastam do chão de fábrica, queiram ou não alguns, prevenção no Brasil na maioria dos locais se faz assim mesmo - no corpo a corpo.

Em segundo há de se avaliar previamente se existe de fato terreno propicio a busca deste tipo de trabalho, observando bem se há de fato decisão e compromisso da alta direção e levando em conta que aquilo que pode parecer um santo remédio, pode ser na verdade um amargo veneno, formatando a empresa em moldes que inviabilizem a ação do SESMT. Nada impede que sendo este o caso defina-se uma estratégia - que há muito já deveria existir independente de pretensão relativa a Sistemas - para elevar o padrão das relações e entendimentos e ai sim, buscar a utilidade de uma sistematização mais formal

Em terceiro, cuidado com o "lixo debaixo do tapete ", pois a tendência, para alcançar objetivos e metas e fazer exatamente isso, com que suma no papel o que ainda existe no chão de fábrica. Nossos administradores tem esta cultura de que problema não deve ser levado para os níveis superiores pois podem demonstrar sua ineficiência. Ora, todo Sistema de Gestão tem como parte avaliações e auditorias que conduzem diretamente a forma que os assuntos vem sendo cuidados e tratados. Vale lembrar, que esteja no papel ou não os riscos e perigos continuarão causando danos.

POR ONDE IR ?

A esta altura, depois de tantas idas e vindas, alguns devem estar se perguntando qual é o caminho ? E a resposta talvez seja a parte mais importante deste texto. O caminho começa por um profissional de segurança e saúde atualizado, esclarecido e que por isso seja capaz de ser de fato o assessor da direção nas decisões relativas a sua especialidade. Recomendo que primeiro este profissional leia tudo o que for possível sobre Sistemas de Gestão, lembrando que a informação mais verdadeira vem sempre do juízo entre as diversas correntes e tendências sobre o mesmo assunto aliado ao conhecimento da realidade da empresa onde você atua. Vale muito neste momento, a troca de informações de outros colegas, mas veja bem, seja seletivo ! Tem muita gente que vive ao sabor do vento, não se importando com nada que não seja a sua comodidade e a manutenção do emprego. Procure saber e principalmente conhecer as experiências já existentes e se possível - converse com empregados destas empresas, ouvindo o lado que mais importa nisso tudo.

Tendo em mente todas estas informações, gaste horas do seu tempo numa análise detalhada. Analise principalmente a realidade da empresa, o que existe de sistema, onde estão as dificuldades da gestão, etc.

Diante disso, fortaleça sua conclusões. O primeiro convencimento é o nosso, não conseguimos mesmo vender ou recusar um produto se não temos certeza quanto a sua utilidade. Neste ponto ninguém melhor do que você para saber qual o caminho ou como orientar seus superiores para escolha correta, sendo que aqui a palavra correta significa o que vá dar mais retorno em termos de prevenção.

Na minha opinião, o melhor sistema do mundo é aquele que funciona. Pode parecer estranho, mas as empresas estão repletas de sistemas que não atingem este objetivo. Um sistema superdimensionado, complexo demais para a realidade local, certamente servirá de enfeite e com convicção ao longo do tempo causará problemas. Um sistema subdimensionado, incompleto ou meramente copiado irá pelo mesmo caminho. De tudo isso, ficará como pano de fundo que segurança e saúde no trabalho são coisas que não devem ser levadas a sério e que mais uma vez, só geram despesas. Você estará fazendo um grande de serviço para nossa área !

Penso ainda, que o caminho para os Sistemas de Gestão são irreversiveis, independente do modismo e de ser este na minha forma um momento ainda impróprio para a maioria das empresas brasileiras. Temo que implantados neste contexto e momento percam-se e assim no futuro não tenhamos com reverter a situação.

Formulas ? Com certeza você encontrará a sua e ela será a mais exata possível na medida em que se aplicar e utilizar fatores como "realidade existente, realidade possível, realizações efetivas, etc." e deixar de lado os modismos puros e simples.

Por fim, fique atento para que seu trabalho ou o trabalho que propõe alcance um objetivo: PRESERVAR A INTEGRIDADE FISICA E SAUDE DOS TRABALHADORES. Se isso ocorrer efetivamente, tenha certeza - Você tem um bom Sistema de Gestão.

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2 comentários:

rodrigo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rodrigo disse...

Este assunto foi de grande valia para o meu crescimento profissional, apesar de não estar atuando como técnico na empresa em que trabalho, mas servirá com certeza, de base para minha carreira e crescimento profissional em qualquer lugar onde estiver.
Sistema de gestão é o auge do profissionalismo prevencionista, não é tudo, mas é o ponto mais estratégico que possamos recorrer neste momento de turbulência em nosso país!
Cosmo, muito obrigado companheiro!

Rodrigo Silvestre
Téc. em saúde e seg. do trabalho
e-mail: silva.silvestre@gmail.com